segunda-feira, 1 de março de 2010

O PERIGO QUE VEM DO SOL

Um dos verões mais quentes do século quebra um novo recorde: o de radiação solar. Os raios ultravioleta (UV) atingiram ontem condições extremas em 14 capitais do país e em Brasília (DF) e acenderam o sinal de alerta do risco de danos à pele. Belo Horizonte está entre as cidades com índice máximo na escala de medição, que varia de um a 14. O topo da incidência de radiação foi registrado ao meio-dia pela empresa paulista Somar Meteorologia, que atribui o fenômeno principalmente à escassez de nuvens. Outros agravantes são buracos na camada de ozônio, a posição geográfica e a altitude de algumas cidades, já que, quanto mais próxima da linha do Equador e mais alta a localidade, maior a concentração de energia ultravioleta.
As capitais com índices mais elevados foram Belo Horizonte, Aracaju, Belém, Boa Vista, Macapá, João Pessoa, Fortaleza, Maceió, Natal, Palmas e Recife, além de Brasília, com índice 14. Rio de Janeiro e Vitória vieram em seguida, com radiação na casa dos 13, e Porto Alegre fechou o grupo de risco com índice 11. De acordo com a escala UV, índices de um a dois são considerados baixos; de três a cinco, moderados; até sete, altos; de oito a 10 são apontados como muito altos; e de 11 a 14 são considerados extremos. O cálculo leva em conta a nebulosidade, a concentração de ozônio, a estação do ano, a hora do dia, a superfície alvo da radiação (areia, neve, água e asfalto refletem a radiação), a posição geográfica e a altitude.
Segundo o meteorologista Jonathan Cologna, da Somar Meteorologia, o alto índice de radiação é sempre esperado no verão, mas este ano as condições estão atípicas devido à influência do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Equador e do Peru e que influencia a circulação das massas de ar no Brasil. “As nuvens ajudam a bloquear a passagem dos raios solares, por isso, quanto menor a nebulosidade, maior a radiação. E o El Niño tem efeito direto, já que ele favorece o calor e inibe a formação de frentes frias em algumas regiões do país. O horário mais crítico é observado das 10h às 15h e o ponto máximo, às 12h”, explica Jonathan.
PRECAUÇÃO O alto índice de radiação requer cuidados especiais com a pele para evitar sérios problemas de saúde. Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia/ Regional Minas Gerais, Maria de Fátima Melo Borges, o ideal é usar, a cada duas horas, filtro solar com fator de proteção de no mínimo 30, roupas claras, bonés, chapéus e óculos escuros com lentes de qualidade. Além disso, é importante tentar evitar a exposição desnecessária ao sol. “As pessoas precisam ter consciência de que a radiação é imperceptível e que tem efeitos cumulativos sobre a pele. Há problemas que aparecem de imediato, como queimaduras, manchas vermelhas e reações alérgicas, mas há doenças graves que só se manifestam a médio e longo prazo”, alerta a médica.
De acordo com a especialista, o maior risco é de envelhecimento precoce da pele, manchas, pintas, sardas e até câncer de pele (melanoma) e doenças autoimunes. “O ideal é praticar atividades ao ar livre apenas no início da manhã e no fim da tarde. Além disso, é bom ficar atento à exposição solar em atitudes cotidianas, como ao dirigir um carro e ficar próximo a janelas de casa. Outro cuidado é com os clubes e praias, pois os jovens são muito imediatistas e só pensam na beleza do bronzeado. Mas eles esquecem que o efeito do sol se acumula na pele e que a prevenção deve começar o mais cedo possível”, acrescenta Maria de Fátima.
Em tempos de sol escaldante, o pequeno Iago Morais Campos, de 4 anos, dá um bom exemplo. Antes de mergulhar na piscina para a aula de natação, ele abusa do protetor solar fator 60 especialmente no rosto, nos braços e nas costas. “Os pais devem ficar atentos com a saúde dos filhos. Não deixo o Iago jogar bola ou brincar ao sol e ele mesmo já pede o protetor solar sempre que vai nadar. Quando era mais novo, ele teve uma manchinha no nariz e sempre ficamos de olho para evitar problemas”, conta o pai do garoto Heleno Moysés Campos, de 44 anos.
A professora Josiane Camargos, de 38, é ainda mais precavida com a filha, Maíra Camargos Franco, de 8. Seja para ir ao clube ou passear com as amigas, o filtro solar é obrigatório até mesmo em partes do corpo pouco lembradas, como as orelhas e o peito do pé. “Passo o protetor duas vezes ao dia, quando acordo e depois do almoço. Só fiquei vermelha uma vez na vida, numa viagem à praia, e achei muito ruim. Agora não esqueço mais”, diz Maíra.

          Fonte: ESTADO DE MINAS – MG

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